quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Remédio amargo na CLDF

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O anúncio de propostas de austeridade econômica e financeira pegou muitos deputados distritais de surpresa, ontem, quando o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) propôs, entre outras ações, o aumento de vários impostos no Distrito Federal. Uma reunião com a base aliada teve de ser convocada na Residência Oficial de Águas Claras, no período da tarde, para pedir o apoio dos parlamentares a fim de aprovar as medidas — que ainda vão passar pela Câmara Legislativa — e explicar o porquê da adoção de ações tão duras para o bolso do contribuinte, em especial o de classe média. Mesmo aqueles dispostos a votar de acordo com o governo demonstraram indignação com o pacote. Entretanto, a bancada do PT anunciou posição contrária a qualquer aprovação de aumento de imposto.

Segundo os deputados que participaram da reunião, o teor da conversa não poderia ter sido mais claro: pelas contas da equipe econômica do DF, a capital está no buraco financeiro. Em linguagem contábil simples, as contas a pagar são maiores do que as contas a receber. Durante toda a reunião, Rollemberg e assessores demonstraram, por meio de gráficos e comparações com outras unidades da Federação, a necessidade de aumentar a arrecadação. Além do aumento de impostos, as propostas de austeridade também foram anunciadas para justificar a antecipação de recursos orçamentários (ARO), operação na qual o governo antecipa repasses mediante juros. Segundo o GDF, ela deve vir com medidas que brequem os gastos.

No time daqueles dispostos a votar pelo aumento de impostos estão a presidente e a vice-presidente da CLDF, Celina Leão (PDT) e Liliane Roriz (PRTB), respectivamente. Celina, inclusive, participou do anúncio das medidas ao lado de Rollemberg. “Este é um momento de todos se dedicarem, e os deputados não vão fugir da responsabilidade. Assim que os projetos forem enviados pelo governo, serão discutidos e detalhados”, destacou. 

Classe média

Da base governista, Joe Valle (PDT) cobrou, em contrapartida, medidas de estímulo à economia a médio e longo prazo. “Lamento que, mais uma vez, a conta seja paga pela classe média e pelo setor produtivo, mas precisamos de remédios duros e vamos discuti-los na Câmara. No entanto, acho que o governo, ao anunciar medidas de austeridade, também deveria se preocupar em apresentar propostas de incentivo para dar esperança à população e à economia”, pondera.

O líder do PMDB, Wellington Luiz, reconhece que as medidas são antipáticas, mas garante que vota a favor dos aumentos. “É difícil explicar para a sociedade, porque ela nada tem a ver com a situação caótica do governo, mas, desde que essas ações tragam respostas efetivas e imediatas, elas são necessárias e contam com meu apoio”, diz. Robério Negreiros (PMDB), de férias no Rio de Janeiro, não tomou conhecimento das propostas, mas afirmou que é favorável à equiparação de alíquotas no DF em comparação a outras unidades da Federação. “Equiparar alíquotas de ICMS ao praticado em outros estados pode ser possível, mas a sociedade não pode pagar sozinha o rombo do governo. O GDF também não pode correr o risco de fazer um leilão das dívidas para reduzir custos a qualquer preço”, afirmou.

Contrários

A bancada do PT se manifestou contrária às propostas governistas. Na avaliação do líder da bancada petista, Chico Vigilante, as medidas contrariam as promessas de campanha de Rollemberg. “Esse é o pacotaço do mal do Rollemberg. Sua equipe econômica, importada de Minas Gerais, nada entende da realidade do DF. Após anos de estímulo à economia, eles anunciam uma marcha à ré que vai tirar a competitividade do DF em relação aos estados vizinhos. É uma agressão falarem em redução de despesas no GDF quando o Diário Oficial não reflete nenhuma dessas falácias”, critica.

Para Chico Leite (PT), o pacote de medidas é nocivo à população. “Sou favorável à contenção de despesas para o equilíbrio das contas públicas, mas não dá para botar nas costas da sociedade uma conta sobre a qual ela não tem responsabilidade. Acredito que é preciso, em primeiro lugar, melhorar a prestação de serviços para, depois, cobrar a mais. Desse jeito, a Câmara não precisa contar comigo para votar aumento de imposto”, antecipa.

R$ 1,2 bilhão
Quantia a ser economizada com as propostas do governo até o fim do ano
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